México, Teatro Municipal, Sertão, Laguna Palcos de célebres amores Frida Kahlo e Diego Rivera. Oswald de Andrade e Pagu. Lampião e Maria Bonita. Giuseppe Garibaldi e Anita. Quatro casais unidos pela paixão e que fizeram história dentro e fora do país. Nas próximas páginas, conheça um pouco da trajetória de cada um deles e os cenários onde se conheceram e deixaram suas marcas. Locais que merecem uma visita não só por sua beleza, mas por guardarem lembranças de um tempo que já passou. Direção de arte • Camilla Sola
Texto • Silvia e Heitor Real

Frida e Diego
“O casamento da pomba com o elefante”, comparou a mãe de Frida Kahlo (1907-54) quando Diego Rivera (1886-1957), o maior nome da arte no México, se uniu a sua filha. Ele, então com 43 anos, era gordo e feio; ela, aos 22, era magrinha e tinha saúde frágil. Aos 18 anos sofrera um grave acidente que fraturou sua coluna e deixou sequelas devastadoras. Durante a convalescença, tornou-se pintora. Um ano depois do ocorrido, quando Diego pintava seu primeiro mural, Frida foi procurá- lo na Cidade do México para lhe mostrar um quadro e pedir sua opinião. “Eu pinto o que vejo, você, o que vai dentro do seu coração”, avaliou, sem compreender como tanta agonia e poesia poderiam caber em uma pintura “ao mesmo tempo dura como aço e fina como asa de borboleta”. Desse primeiro encontro nasceu um relacionamento tão apaixonado quanto turbulento, pontilhado de infidelidades, separações e reconciliações até o final da vida deles.

Ambos respiravam arte, cultura e revoluções. Essa paixão teve grandes momentos na Casa Azul, no bairro de Coyoacán, na Cidade do México, onde o casal morava e recebia amigos, como o surrealista André Breton e o revolucionário Leon Trotsky. Hoje, o espaço foi transformado num museu que mantém acesa a história da dupla e onde os visitantes podem observar objetos, paisagens cotidianas e os autorretratos da artista vestida com roupas e adereços vistosos. No centro histórico, em um dos murais do Palácio Nacional, Diego mostra o tamanho da sua paixão ao representar Frida como uma deusa asteca. E, na porta do estúdio dele, no bairro de San Angeles, ela escreveu: “Diego mi amante, amigo, mi madre, y, Diego universo”.

Frida Kahlo e Diego Rivera

Localizada na Cidade do México, a Casa Azul onde viveu Frida Kahlo e Diego Rivera atrai milhares de visitantes todos os anos. Transformada em museu, o espaço abriga objetos e autorretratos da artista.



Pagu e Oswald
Conduzida pela coragem de ir na contramão e abrir caminho para um Brasil moderno, Patrícia Galvão, pseudônimo de Pagu (1910-62), foi poeta, jornalista, desenhista, escritora e militante política. Lutava contra o preconceito, as injustiças sociais e pela construção de uma cultura tipicamente nacional. Oswald de Andrade (1890-1954), então casado com a artista Tarsila do Amaral, já era escritor famoso quando o poeta Raul Bopp lhe apresentou Pagu. Poetas, escritores e artistas costumavam se reunir em salões na praça da República e em almoços na loja Mappin, em São Paulo, onde discutiam movimentos embrionários da Semana de Arte Moderna de 1922, deflagrada no palco do Teatro Municipal. Fascinado pela musa, Oswald rompe seu casamento para ficar com ela, na época com apenas 20 anos e grávida do seu primeiro filho, Rudá de Andrade. É o próprio Oswald quem conta em seu livro Romance da Época Anarquista: “Em 1930, a jovem amorosa, Patrícia Galvão, e o crápula forte, Oswald de Andrade, diante do túmulo (o jazigo da família do escritor), do Cemitério da Consolação assumiram o heroico compromisso. Depois se retrataram diante de uma igreja. Cumpriu-se o milagre. Agora sim o mundo pode desabar”. E começaria mesmo a desmoronar pouco tempo depois. A união não durou mais de três anos.

Pagu e Oswald

O romance de Oswald de Andrade e Pagu nasceu numa época de efervescência cultural na cidade de São Paulo. Em 1922, intelectuais tomaram o palco do Teatro Municipal (abaixo) para deflagrar a Semana de Arte Moderna.







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