As seis perfeições do budismo
Praticar a generosidade, a disciplina ética, a paciência, a sabedoria, o esforço entusiástico e a concentração levam a um estado de bem-estar e felicidade plenos. Saiba como trazê-las para seu dia a dia e ter mais qualidade de vida.
Direção de arte • Camilla Sola
Texto • Melissa Diniz
Foto • Rogério Voltan
Reportagem fotográfica • Henrique Morais
Modelo • Caroline Casadei (Lumière Models)
Cabelo e maquiagem • Alessandro Tierni (Agência Glloss)
Praticar a generosidade, a disciplina ética, a paciência, a sabedoria, o esforço entusiástico e a concentração levam a um estado de bem-estar e felicidade plenos. Saiba como trazê-las para seu dia a dia e ter mais qualidade de vida.
Imagine como seria se cada um de nós, ao nascer, recebesse um roteiro para encontrar a tão sonhada felicidade. Nesse tal código de conduta não estaria o nome de seu par perfeito nem a profissão que você deveria seguir para ter sucesso, mas algumas atitudes capazes de afastá-la da tristeza e da dor, levando-a a um estágio de bem-estar pleno. Pois, para os praticantes do budismo, esse roteiro existe e está expresso nas seis perfeições descritas por Buda e seus discípulos.
A palavra perfeição, ou paramita (em tibetano), tem como tradução literal a expressão “ir além”, ou “atravessar para a outra margem”. Segundo os preceitos do budismo, essa “travessia” é o caminho mais eficiente para quem busca se libertar de emoções perturbadoras – como a raiva, o medo e a depressão – e quer viver com mais alegria, paz e prosperidade.
Na realidade, o termo perfeição, nesse contexto, é usado para simbolizar seis virtudes: generosidade, disciplina ética, paciência, esforço entusiástico, concentração e sabedoria, que juntas configuram um estilo de vida baseado na compaixão. Isso porque, no budismo, o outro vem sempre em primeiro lugar e seu contentamento funciona como uma espécie de termômetro para sabermos se estamos na trilha certa para obter nossa própria satisfação.
Para divulgar essa profunda filosofia, diversos representantes e divulgadores do budismo no Brasil se reuniram na Livraria da Vila, em São Paulo, por ocasião do lançamento do livro As Seis Perfeições – Como Atingir o Bem-Estar Supremo (WMF Martins Fontes), do mestre Geshe Sonam Rinchen. Na obra, o autor – que é professor de filosofia budista em Dharamsala, cidade indiana onde vivem o dalai-lama e as principais autoridades tibetanas condenadas ao exílio – comenta as vantagens de incorporarmos essas virtudes ao nosso dia a dia. “Ao respeitarmos o outro, por meio da prática das seis perfeições, somos capazes de alcançar o que mais desejamos”, diz. Ao que acrescenta a monja Coen, fundadora da Comunidade Zen Budista de São Paulo: “Quem pega só para si não percebe que faz parte de um todo e que beneficiando os outros também será beneficiado”.
Aplicação e disciplina
De acordo com Rinchen, enquanto a prática da generosidade, da disciplina ética e da paciência é direcionada ao benefício dos outros, a concentração e a sabedoria são importantes para o desenvolvimento pessoal. Já o esforço entusiástico é necessário em ambos os casos.
Mesmo com o roteiro de Buda em mãos, alcançar o bemestar pleno exige dedicação. Rinchen afirma que somente com a prática constante e diária, mesmo nas situações mais simples da vida, é possível desenvolver essas virtudes.
Essa é também a opinião da lama Tsering Everest, coordenadora do centro de budismo tibetano Odsal Ling, em São Paulo: “A mudança de hábitos somente é alcançada com a prática. Você pode usar as seis perfeições no ato de ouvir, ao arrumar a cama ou ao servir uma xícara de chá, mas o principal é saber que tudo o que fazemos deve ter como base não o eu, mas o todo”.
Dadas as explicações, está na hora de saber como as seis perfeições podem ajudá-la a ser plena e equilibrada. Conheça um pouco mais sobre cada uma delas a seguir.